sábado, 28 de maio de 2011

Pré-Socráticos: Parmênides

Se, para Heráclito, a organização do universo poderia ser expressa em termos de um fluxo contínuo, Parmênides, por sua vez, contrapõe a essa idéia, a ideia de que o universo seria um todo imutável. Muito pouco se sabe sobre a vida de Parmênides; tudo

indica que ele tinha conhecimento das obras de Heráclito e de Pitágoras e que, ao visitar Atenas, aos 65 anos, conhecera o jovem Sócrates.

Como Parmênides nega a mudança e estabelece que a verdade deve concordar com o pensamento, que não aceita contradição, podemos dizer, seguramente, que, com Parmênides, se inicia, na especulação filosófica, a primeira fórmula do princípio da não

contradição, segundo o qual o mérito principal do pensamento é a não contrariedade. Ora, apenas o ser pode ser pensado, já que o não-ser não é. Se eu não consigo ter uma idéia do que a coisa é, não posso pensá-la - e o que não pode ser pensado não é ser. Daí Parmênides conclui que só o ser é - e que o não-ser não é. Dessa verdade ele deduz outras:

1) O ser é todo inteiro - se o ser tivesse partes, algo nele seria separado, não fazendo parte do ser, mas isso seria não-ser. Conseqüentemente, o ser, sendo uno e indivisível, não pode ter partes.

2) O ser é imutável - o ser não pode ter surgido do não-ser ou tornar-se não-ser, já que o ser só pode ser idêntico a si mesmo - e não pode ser e não-ser ao mesmo tempo. Acreditar que o ser foi gerado significa dizer que houve um tempo em que o ser era não-ser, o que é contraditório. Logo, o ser é eterno, sem começo nem fim.

O mesmo se aplica ao dizer e ao pensar. Só podemos pensar no que é, pois só o que é exprime-se em palavras. Pensar em nada é não pensar; dizer nada é ficar calado.

Fonte: UOL / Brasil Escola

Nenhum comentário:

Postar um comentário